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Caminho

Já em nada acreditas,

Nada sentido te faz.

Não tens rumo,

Andas perdida.

E,

Não te deixas ajudar.

Não é novo,

Não em tí

que teimas dominar

És um ser invulgar!

 

Das artes em que és brilhantes

Ao saber como estar,

Nas entranhas do teu Ego

Tudo sabes, 

És Deusa do teu pensamento

Escreves como ninguém

Oras como se berço tivesses

Amiga da ilusão

Anti-cristo da razão.

 

Sentes que és pujante

Uma presença ancestral

Que quando se está por perto

Na ravina ou no beberete

Não mais devemos fazer

Que agradecer teu olhar,

Os segundos que perdes

Para nos cumprimentar.

 

Pois nunca te esqueças

Que um dia ao acordar

Vais sentir um vazio

Daqueles que um dia

Te quiseram ver sorrir

Te ofereceram um lenço

De Paris, às cornocópias

Bordeux e verde garrafa

Que representam as gentes

Que rodeando o nosso ser

Um dia ao acordar

Tu vais sentir a perder…

 

Esse momento pequeno,

Que na vida não terá expressão,

Será uma eternidade,

Momento de vontade

De regredir, Voltar

Tudo fazer diferente

O teu Ego afogar.

 

Sempre estarei aqui,

Pronto a suportar

Quaisquer que sejam os sentidos

Os sentimentos em ti

As palavras que queiras ouvir

O passado que queiras destruir

O sorriso que te faz falta

Manipulações a mais

Rostos sem barriga

Amor próprio que falha

Razão que se perde na esquina da rua

Amargura que vem depressa e fica

Sempre aqui estarei

Pois sou o único que sei

Que em ti tudo é fingimento

Que no teu fundo

Há amor e sentimento

Que nasceste para o bem

Como poucos ou ninguém.

 

Adeus.


A dois

Um dia acordei de manhã
Como se a manhã fosse nova
Não se ouvia um sussurro,
Estava sozinho comigo.
Livre …

Vi palavras soltas saindo
Palavras que atrás de outras vão
Saindo como que em fila
Gerando imagens de histórias
Umas que já ouvira contar
Com os detalhes das cores
Gentes e senhores

Muito bem arranjadas
Colocadas com razão
Fotografias de uma vida
Que entra e sai de mim
Que sabe o que não tem
Alcança e pára
O amor é uma amarra

A história ficou por contar
Pelo menos o seu fim
Tristeza invadiu o meu ser
Tristeza tudo alimenta
Derradeiro vendaval,
Senhora do avental
És tu, és cruel

Pobreza

Egoísmo,
Mácula que não dissolve
Valor escuro que não se vê
Sentimento pequeno
Que faz de ti mundana
Senhora livre mas perdida
Nada elevada
Rasteira, tal a estrada

Sabedoria,
Tua, minha, nossa
Que envolve nossos dias
Nos massacra
Nos maltrata
Nos faz ver o que não queremos
Ou seria mais fácil não ver
É gente que vem de fora
Doutros mundo que não sei
Se a gente que lá vem
É como tu também

Paralesia,
Sentimento de quem não tem
Neste mundo,
Janela com horizonte
Verde ou branco,
Pano de fundo brilhante
Com a luz de quem espera
Um dia poder mergulhar
Noutro mar
O da paixão

O de amar,
O de amar.

Tristeza

Anos e anos passando
Mar que vai e trás na volta
Dias e dias passados
Angústias de quem não esquece
Perdão que já não tem
Actos de quem olha no escuro
Não vê Sol ou Lua
Vê-te só, com ninguém.

Montanha que te vê passar

Voando por onde voas
Vendo o que tu vês
Consigo subir acima
Ribeira que jorra água
Madeira do teu jardim
Voando por onde voas
Consigo fugir de mim

Chegar por vezes consigo
Na clandestinidade de quem não conheces
Aproximar-me de ti,
De quem julgo que és
De onde tu não me vês
Bem escondido no jardim
Espreito e vejo brilhando
Como uma aura especial
De quem não sabendo que tem
E não parecendo mesmo ter
Tem um brilho especial
De tão especial ser
Vai, vai…Vai e sai desse mundo só teu.
És flor que não se cansa
De se virar ao céu.

Essa luz que tu procuras
E todos procuram em ti
Está por detrás dos arbustos
Velada por um anão
Que é mágico de ti
Mago do teu coração
Pede-lhe que te deixe
Partilhar esse brilho
Dar luz à tua janela
Abrir o teu interior
A todos os que tu queres
Voando por onde voas
Só te resta um caminho
A partilha do teu ser
A partilha com carinho

O camaleão de Paris

Vais e vens e com razão
tu te entregas a alguém
que não está e não será
mais que um simples ninguém

Nem gente que anda e fala
nem sequer gente de bem
É como se não fosse nada
mais que um simples ninguém

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As luzes que brilham e iluminam
podem ser de tantas cores
que de Paris mais não trago
mais de mil e um amores

Agora são amarelas
amanhã encarnadas
nunca se conta com elas
pois não estando amarradas
mudam e fingem como ninguém

Conheço pessoas assim
que vão mudando de cor
nunca sei ao que vou
e por muita que seja a dor
não sou eu, nunca lá estou

O Sol que há em ti

Este sol que te acompanha
no teu dia-a-dia atarefado
é o mesmo que te viu nascer
e que te deu este fado
De teres o brilho da tua luz
Bondade do teu bem
Amiga pela amizade
Bonita como ninguém

Vítima do teu ser
altruíta recompensada
que em cada gesto recebes
aquilo que vem do nada
E como geres tu este saber
De quem dizendo não diz
tudo o que quer dizer
Fazendo de mim feliz

E como partilhas não dando
Aquilo que estás a dar
Parecendo que só emprestas
quando te estás a entregar

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É o sol que te ilumina?
Ou já nasceste iluminada?

Com um brilho que vem de dentro
te trespassa e reveste
te cobre e te dá cheiro
te envolve como o primeiro
por certo nasceste assim
mesmo feita para mim.

Ondas lisas, onde vão?

Mais não quero que navegar
nesse teu leito macio
te tocar e sussurrar
te causar um arrepio

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Mais não quero que viver
cada teu pedaço meu
sem nunca te perder
e assim chegar ao céu

Uma razão para este amor

Esculpindo palavra a palavra
vou desenhando esse teu ser
amigo, terno, verdadeiro
que conheço e desconheço
que amo e contrario
que solta raios de alegria
que solta amor por inteiro

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Esculpindo palavra a palavra
em cada letra descubro o teu olhar
razão de ser da minha vida
que não escondo,
que não procuro abafar,
chegam-me os minutos em que posso
o teu rosto partilhar

Esculpindo palavra a palavra
o teu sorriso aparece
bem definido, ardente
como o sorriso da gente
que nasce para vencer
gente que vive e descobre
que nasceu para viver

Uma flor para o meu amor

A beleza que eternamente vive
nesse teu nobre e humilde olhar
transcende a natureza humana
é divina e divinal

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A flor que brota e cresce
as pétalas que te levam pela mão
encerram segredos tão bem guardados
neste rosa velho e forte coração